A representação do negro nas fotos de Pierre Verger (1902-1996) 1 / 4

Jérôme Souty

Abomey, Benim, 1948-79Abomey, Benim, 1948-79

Mahon, Burkina,1936Mahon, Burkina,1936

Fotógrafo independente, Pierre Verger primeiramente testemunhou por meio de imagens, de maneira livre e descompromissada, aquilo que viveu (de 1932 até 1946). Depois, a fotografia tornou-se um precioso instrumento para suas investigações documentais e etnográficas entre a África e o Brasil. O fotógrafo-etnólogo dedicou cinqüenta anos de vida (de 1946 a 1996) ao estudo das culturas da África do Oeste e suas diásporas religiosas no Brasil (em particular o candomblé em Salvador, mas também o xangô do Recife e a Casa das Minas em São Luis ) e, em medida menor, no Caribe (a santería em Cuba, o vodu no Haiti).

Verger viveu por cerca de quarenta anos no Brasil, principalmente em Salvador, e passou mais de quinze anos na África, sobretudo no Benin e na Nigéria. Motivado pelo sentimento de empatia e pelo desejo de ‘’alteridade’’, compartilhou de perto a existência e a amizade daqueles que para ele foram muito mais do que meros objetos de estudo. No Brasil, foi iniciado aos cultos do candomblé e assumiu certas responsabilidades honoríficas. Na África yoruba, seu longo processo de iniciação ao sistema de adivinhação do Ifá o tornou um guardião do saber oral yoruba.