índice studium 39

As Árvores Crescem Perpendiculares ao Chão

Marcelo Zocchio[1]

Resumo / Abstract

A instalação intitulada As árvores crescem perpendiculares ao chão, de 2017, é composta por peças de madeira reaproveitada, de tamanhos, tipos e cores variadas, carregadas de marcas adquiridas com o tempo e seu uso anterior, como encaixes, furos, pregos e pintura. As peças são suspensas pelo teto do espaço expositivo por cabos de aço, numa altura que permite ao visitante caminhar por baixo e observar imagens de árvores, impressas por transferência, nas seções inferiores de corte das madeiras como a manifestação de uma “memória” do ser vivo ao qual um dia aquela peça pertenceu. A instalação propõe um jogo de significados e arranjos: as peças penduradas se tornam árvores, as árvores fotografadas se tornam peças de madeira e, ao examinar as imagens, o observador assume a posição do autor das fotos quando este fotografava no campo. Assim o espectador é levado inadvertidamente a uma espécie de bosque virtual invertido.

Trees grow perpendicular to the ground. Installation consisting of pieces of recicled wood of various sizes, types and colors, carrying marks acquired over time and their previous use, such as fittings, holes, nails and painting. The pieces are suspended by the ceiling of the exhibition space by steel cables, at a height that allows the visitor to walk under and observe images of trees, printed by transfer, in the lower sections of wood cutting as a manifestation of a "memory" of the living being to which one day that piece belonged. The installation proposes an exchange of meanings and arrangements: the hanging pieces become trees, the photographed trees become pieces of wood and, when examining the images, the observer assumes the position of the author of the photos when shooting the photographs in the field. Thus the viewer is inadvertently taken to a kind of inverted virtual forest.

 

A instalação intitulada As Árvores Crescem Perpendiculares ao Chão, de 2017, é composta por 24 peças de madeira reaproveitada, de tamanhos, tipos e cores variadas, carregadas de marcas adquiridas com o tempo e com seu uso anterior, como encaixes, furos, pregos e pintura. As peças são suspensas pelo teto do espaço expositivo por cabos de aço, numa altura que permite ao visitante a observação de imagens de árvores, impressas por transferência, nas seções inferiores de corte das madeiras.

O trabalho se insere no contexto da série Anima, que parte da ideia de uma ficção, na qual o reino vegetal teria sido extinto e seus restos sofrem transformações.

Nesse caso, imagens de árvores, fotografadas de baixo para cima, “aparecem” nas seções quadradas ou retangulares das peças, resultantes do manejo da árvore e do beneficiamento de sua madeira, como manifestação de uma “memória” do ser vivo ao qual um dia aquela peça pertenceu.

A instalação se resolve apenas com a luz ambiente, sem nenhum recurso adicional de iluminação, portanto algumas imagens demandam uma dose de curiosidade do observador para serem percebidas, reforçando seu caráter espectral.

A instalação propõe um jogo de significados e arranjos: as peças penduradas se tornam árvores, as árvores fotografadas se tornam peças de madeira e, ao examinar as imagens, o observador assume a posição do autor das fotos quando este efetivamente fotografava as árvores. Assim o visitante é levado inadvertidamente a uma espécie de bosque virtual invertido.

[1] Marcelo Salvia Zocchio é fotógrafo. Formou-se em engenharia civil pela Escola de Engenharia Mackenzie, em 1988, em São Paulo. Nesse ano, iniciou a carreira de fotojornalista como freelancer dos jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e da revista IstoÉ. De 1990 a 1991, estudou no Internacional Center of Photography [Centro Internacional de Fotografia], de Nova York, onde freqüentou aulas dos artistas Duane Michaels (1932) e Arthur Tress (1940).