Paranoia: um delírio entre a poesia, a fotografia e o cinema

Resumo

Paranoia, livro de poemas de Roberto Piva com fotos de Wesley Duke Lee, lançado primeiramente em 1963 (e relançado em 2009), sugere uma interrelação entre a fotografia, a poesia e o cinema. Apesar de não haver uma projeção de imagens sequenciadas, o cinema está de alguma forma presente na maneira como imagens e palavras se relacionam ao longo das páginas do livro. A fotografia deixa de estar reduzida a sentidos puramente referenciais em uma obra que convida o leitor a pensar cinematograficamente como a fotografia interaje com a poesia. A linguagem delirante dos poemas do livro Paranoia viabilizou a liberdade de associações não apenas na maneira como elementos urbanos foram incorporados aos poemas, mas também na maneira em que se constituiu uma linguagem poética-fotográfica-cinematográfica.

Abstract

Paranoia, the book with poems by Roberto Piva and photos by Wesley Duke Lee first released in 1963 (and released again in 2009), suggests an interrelation among photography, poetry and cinema. Although there is no projection of sequenced images, cinema is somehow present in the way image and words relate throughout the pages of the books. Photography stops being reduced to mere referential meanings in a work that invites one to think cinematographically how photography interracts with poetry. The delirous language of the poems of Paranoia allowed a freedom of associations not only in the way urban elments were assimilated to the poems, but also the in the way language became simultaneously poetic, photographic and cinematographic.