Os coletivos e o redimensionamento da autoria fotográfica

Resumo

Para rebater a ideia de que a fotografia é apenas a reprodução mecênica do visível não foi suficiente demonstrar o caráter cultural de toda técnica. Os fotógrafos sentiram a necessidade se afirmar como sujeitos capazes de centralizar em si todas razões da imagem que agenciavam. Apenas assim, eles foram alçados à condição de autor e sua produção, à condição de obra de arte. Perturbando essa tradição, os coletivos de fotógrafos assumem a criação como um processo colaborativo, traindo as conquistas que permitiam ligar a obra à autoridade de um nome próprio. A situação de crise que instauram representa uma oportunidade para pensar as expectativas históricas que se projetam sobre a idéia de autor. E, ao propor uma noção redimensionada de autoria, os coletivos encontram intuitivamente uma posição alternativa entre o culto à autonomia do “sujeito” e o temor de sua total dissolução numa identidade “líquida”.

Abstract

In order to counter the idea that photography is merley a mechanical reproduction of the visible world, it was not enough to demonstrate the cultural aspect of any technics. Photographers felt the need to afirm themselves as subjects capable of centralizing within them all the reasons of the images they produce. This was the only way they were elevated to the condition of author, and their production to the condition of work of art. Disturbing this tradition, photography collectives face the creation as a colaborative process, betraying the achivements which linked the work of art to the authority of a given name. The crisis installed by the collectives  presents an opportunity  to rethink historical expectations reflected on the idea of “author”. And by proposing a redimensioning of authorship, collectives have intuitively found an alternative position between the cult to the subjects’ authonomy and the fear of their complete dissolution into a “liquid” identity.