Etienne
Samain
nos
surprende
com
a
análise
da
narratividade
de
um
álbum
de
família
singular
:
o
cerimonial
de
luto
de
um
dos
membros
queridos
dessa
família.
Samain
revisita
studium
e
punctum
barthesianos
para
extrair
das
imagens
descrição
cultural
e
afetividades
subjetivas.
As
imagens
do
carnaval
negro
paulistano
da
pesquisa
de
doutorado
de
Olga
Von
Simson
nos
levam
à
gênese
das
grandes
escolas
de
samba
paulistanas
e
nos
carregam
na
sua
evolução
por
décadas.
É
a
busca
de
uma
afirmação
de
negritude
e
de
herança
afro-brasileira
tentando
ocupar
os
espaços
públicos
e
existir
nos
limites
de
uma
elite
conservadora.
Sheila
Schvarzman
apresenta-nos
as
utopias
de
Humberto
Mauro.
Da
criação
de
um
cinema
moderno
e
identificado
com
o
Brasil
ao
inspirador
do
cinema
novo,
passando
pelo
INCE
(Instituto
Nacional
do
Cinema
Educativo)
e
por
um
projeto
de
cinema
voltado
para
a
ciência
e
educação,
eis
a
trajetória
de
Mauro
traçada
por
Sheila.
João
Martinho
de
Mendonça
resgata
o
“fotógrafo”
Roberto
Cardoso
de
Oliveira,
referência
para
a
antropologia
brasileira.
Ao
indexar
as
imagens,
reunindo
fotografias
e
trechos
de
seus
diários
da
expedição
de
1959
pelo
do
Alto
Solimões,
João
Martinho
recupera
uma
complementariedade
esquecida
na
história
da
antropologia
brasileira
e
mostra
que
Cardoso
de
Oliveira
não
era
um
“turista”
fotografando
para
ilustrar
sua
pesquisa.
Ao
percorrer
uma
cidade
qualquer,
suponhamos
São
Paulo,
pela
ótica
de
Rachel
Rosalen,
nunca
mais
veremos
cidade
igual...
talvez
nunca
mais
vejamos
cidade
nenhuma
sem
a
obsessão
do
desejo,
uma
pulsão
escópica.
A
transgressão
da
moral
dos
outdoors
e
das
imagens
publicitárias,
com
acréscimo
do
ato
como
sexo
(“imoral”
quando
público),
está
impressa
nas
paredes
e
asfaltos
frios
da
vivência
urbana;
existe
vida
no
explícito.
Confiar
nos
óculos?
E
não
no
olhos?
Uma
lente
que
diz,
constrói
significações,
narrativas,
desnuda
quando
é
retirada,
e
então
nos
enfrentamos
olho
no
olho,
mesmo
que
seja
uma
simples
fotografia.
Haenz
Gutierrez
nos
coloca
essa
dúvida:
vemos
melhor
de
óculos?
Ou
vemos
“realmente”
sem
óculos?...um
homem
está
olhando
uma
mulher...
Mauricius
Farina
coloca-nos
na
perspectiva
de
discutir
a
trama
do
traço,
do
“isto
foi”,
trazendo
a
pregnância,
um
estado
de
aparente
"nada
de
extraordinário".
Estar
diante
da
enunciação
coletiva,
mesmo
que
seja
pelos
detalhes,
na
multiplicidade
de
um
cotidiano
banal;
o
caráter
fetichista
da
fotografia.