Editorial

Chegamos ao nosso quinto número (zero + quatro).

Completamos um ano de trabalho com o número quatro (o número zero foi lançado em Dezembro de 1999) e acreditamos que estamos conseguindo nossos objetivos de tratar a fotografia com aproximações moleculares e apaixonantes. O conteúdo criativo da revista, a qualidade dos textos e as imagens fotográficas autorais e referenciais têm pautado todas as edições. E não podia ser diferente com este número: a densidade da STUDIUM 4 condiz com nossa comemoração de uma existência anual para um milênio que se anuncia. 

À nossa satisfação em apresentar este número junta-se uma sombra - a da preocupação em obter um patrocínio efetivo, que possa assegurar a manutenção e o crescimento da nossa equipe, de cujo trabalho esta publicação eletrônica depende. 

A maturidade da revista passa também pela proposta de capas elaboradas por fotógrafos e artistas gráficos. Contamos com a criação da capa produzida por Paulo Costa, que acentua com simplicidade a preponderância nipônica dessa edição.

Com colaboração de dois pesquisadores que apresentaram seus trabalhos recentemente temos um corpo visual relevante sobre o Japão:

O Prof. Luiz Dantas apresenta-nos a coleção de cartões postais japoneses do fim do século XIX e começo do século XX, reundada por ele durante os vários anos em que morou na França. Como interessado na cultura japonesa, viajou pelas velas da correspondência visual. A coleção de cartões postais japoneses organizada e apresentada no CEDAE-IEL e com brevidade no Espaço Cultural Fundação Japão, em São Paulo, é dessas surpresas fantásticas de baús abertos aos nossos olhos nos quais conhecemos mais detalhes da história e de uma cultura.

O Prof. Ryuta Imafuku gentilmente permitiu-nos a reprodução de sua palestra sobre Imagem e Violência no Japão Pós Guerra - e com todas as imagens que compõem sua apresentação! Através dessa palestra, podemos perceber e, mais ainda, nos convencer da humilhação impingida sem necessidade aos japoneses com o teste da bomba atômica - uma experiência até hoje não contestada nos tribunais internacionais.

Colocamos, como proposta de desafio, a realização da leitura de uma fotografia extraída da Revista Nikkor japonesa. A filósofa Mariana Lacombe e o fotógrafo Joel La Lana Sene aceitaram e fisgaram a imagem.

Do polêmico filme Império dos Sentidos trazemos os retratos japoneses dos escritos de Donald Richie sobre Sada Abe e Eiko Matsuda, personagem real do drama e a atriz do filme de Nagisa Oshima.

Completando a predominância nipônica dos textos na Revista Studium 4 disponibilizamos o artigo de Fernando de Tacca, já publicado na Revista Líbero sobre três fotógrafos que marcaram a aproximação do autor com a fotografia japonesa: Kineo, Ueda e Araki.

A existência brasileira no Benin nos chega pelas lentes de Milton Guran, um dos nossos melhores fotógrafos. Sua inserção antropológica na observação dos detalhes culturais  traça a rota África-Brasil-África denotada por suas imagens.

Eduardo Castanho coloca-nos uma questão ainda latente no campo estético da fotografia analógica e desnuda algumas chaves dos mestres que utilizam as câmeras telemétricas: Cartier-Bresson, Kertész e Frank.

Beatriz Lefèvre faz uma ousada crítica editorial dos livros de fotografia, campo pouco explorado pelos críticos, abrindo um janela para olharmos os processos editoriais e aborda detalhes do livro de Pedro Martinelli.

Esperamos um ano ainda mais profícuo para a Revista Studium em 2001, uma de nossas odisséias!

 

Fernando de Tacca e Lygia Nery

Verão 2001