Virtual Reality Photography e a Representação

Foram muitas as vezes em que tive que jogar meu personagem do The Lord of the Rings Online - minha representação física dentro do universo do jogo - em direção à poça até conseguir uma captura de tela perfeita e que remetesse à obra de Bresson. Só então notei que, pelo menos nos últimos quinze minutos, um passante me observava curioso: um outro jogador em algum lugar do mundo, diante de seu computador, observando alguém se jogando numa poça d'água repetitivamente. Quando parei e olhei de volta, ele deu de ombros e foi embora.


Fico pensando o que teria passado por sua cabeça. "O que aquela pessoa está fazendo? Por que ela está num jogo eletrônico que já é dado com toda uma formatação inerente do que se espera que será feito - para fazer isso?".


Acho que uma das particularidades da VRP - a fotografia em realidade virtual - que mais me agradou é o fato dela estar sujeita à manipulação e ao que pode se entender como uma "espontaneidade da realidade" em proporções iguais. É a representação através de todo um mundo que foi criado e construído com propósitos de jogabilidade, entretenimento e construção visual, mas subvertido a outros olhares.


Esperar o horário e a luz ideal, o momento oportuno, a chuva passar, as pessoas saírem da frente ou até mesmo o "instante decisivo" de um soldado alvejado - por mais que montado ou não - são algumas das dificuldades que poderiam ter sido listadas no trabalho dos autores aqui referenciados e que também foram enfrentados na própria realização dessas releituras num ambiente virtual.


As imagens a seguir são as representações dessas buscas, montagens e manipulações de outrora, porém num novo ambiente, um ambiente virtual e, ainda assim, tão controlado e ao mesmo tempo tão imprevisível como o que queremos entender por realidade.

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  • Man Ray
  • Robert Capa
  • Dorothea Lange
  • Cartier Bresson
  • Ansel Adams
  • Peter Morgan
  • Alberto Korda
  • Muybridge