Revista STUDIUM 2
inverno 2000
EditorialA Revista Studium nessa edição de inverno chega um pouco atrasada com o frio vindo antes, anunciando-a. Debaixo de nossos cobertores esperamos que o caro/a leitor/a possa deliciar-se ao navegar seu olhar na nossa proposta de edição. Aconselhamos um pequeno grau etílico como um bom cálice de vinho (ou a dose de uma boa cachaça) para embriagar seus olhos e seu imaginário pelos ensaios, artigos e portfólios. Os fotógrafos e autores que contribuem nessa edição são vetores catalizadores para uma qualidade cada vez mais apurada da revista.
Nessa edição trazemos um artigo inédito de Arlindo Machado que retoma um caminho proposto por Vilém Flusser de compreeder as imagens técnicas, e principalmente a fotografia, como uma imagem-conceito fundamentada em teorias científicas. Nesse artigo, o autor amplia a discussão da semiótica peirceana do signo fotográfico compreedida como um índice, muito debatida nos textos de Philippe Dubois e Jean-Marie Schaeffer, ou da similitude do ícone, para o plano do signo fotográfico como um símbolo, no "terreno do conceito". Agradecemos à Clélia Mello os contatos com Arlindo Machado e a dedicação de ambos em contribuir efetivamente para o desenvolvimento da nossa proposta. Agradecemos igualmente ao Mauricius Farina, à Diana Dobranszky e à Regina Martins pela pesquisa de imagens para os artigos.
Mauricius Farina também contribui teoricamente para uma compreensão das relações entre arte e a propaganda através de um recorte ideológico. Ao analisar fotografias do diretor de arte e fotógrafo da Benetton, Oliviero Toscani, centra seu enfoque na questão do suporte mediático.
O ensaio de Luiz Achutti foi uma feliz troca de correspondência entre o editor e o fotógrafo resultando numa imersão pessoal do fotógrafo no seu próprio ato fotográfico ( incluindo o pré e o pós-fotográfico) e nas lágrimas concretas deitadas sobre a memória propiciada no acaso pelas surpreendentes "múltiplas realidades" da fotografia, como enfatiza Boris Kossoy.
Luiza Sandler, aluna de Artes Plásticas da Unicamp, pousa seu olhar analítico sobre uma única fotografia antiga (1857) e tece as amarras do retrato no triângulo estabelecido entre o fotógrafo e a relação do homem com sua criação.
Beatriz Colucci traça percurso dos fotógrafos que mudaram o conceito da fotografia no começo do século quando participaram ativamente das vanguardas artísticas européias e centra sua análise na obra de um dos mais importantes fotógrafos do período: Man Ray.
Apresentamos o trabalho fotográfico inédito de João Urban e Suzana Barreto sobre a Festa de São Benedito, em Aparecida do Norte, com reis e rainhas do Congo, mastros e bandeiras, e os ternos de congada.
O portfólio de uma jovem revelação de Campinas, Juliana Engler, revela com seu caderno de animação inspirada em Marey e Muybridge e com suas múltiplas exposições uma visão poética do corpo feminino em movimento.
Então, que bons ventos os naveguem!
Fernando de Tacca e Lygia Nery