Big Brother - CONCEITO


Conceito

O objetivo deste trabalho foi o desenvolvimento de uma instalação multimídia interativa presencial com sistema para apresentação de imagens digitais comandado por entrada de áudio, e com um rebatimento para web, neste caso, comandado pela ação do mouse. Cada indivíduo comandará os procedimentos interativos pela sua própria vontade sendo conceitualmente considerado um sujeito interferente.

Descrição e conteúdo

clique para abrir esta imagemApós os acontecimentos fatídicos do 11 de setembro, e antes da invasão norte-americana ao Iraque, uma imagem invadiu os postes de algumas cidades brasileiras. A imagem polêmica é resultado da mixagem de dois rostos conhecidos, e mostra metade do rosto Osama Bin Laden e a outra metade George W. Bush, como faces de uma mesma moeda. A imagem foi espalhada através de centenas de cartazes pelos postes da cidade de Campinas e outras cidades do Brasil. BB-BigBrother pretende re-significar a imagem disponibilizada publicamente, descontextualizando-a, e permitindo, assim, novas abordagens ao leitor. Como elemento público nos postes das cidades e com uma dualidade polêmica atual, a imagem tornou-se uma visualidade interferente por sua própria natureza aos olhos dos passantes.

Os cartazes colados nos postes foram sendo deteriorados pelo tempo, pela chuva, pelo sol, pela interferência da comunicação visual da cidade, com outros cartazes sobrepostos e também com interferências de pessoas anônimas. Cada imagem em cada poste tem sua própria história de deterioração interferente e de transformação tornando-as, assim, únicas e singulares. Oitenta imagens foram fotografadas em P&B e cinqüenta imagens foram editadas para esse trabalho. Das cinqüentas imagens escolhidas foram editadas 25 pares e 15 trios de imagens.

O projeto "BB - Big Brothers" propõe uma continuidade da ação interferente na construção de um olhar crítico a esse conflito que nos é imposto hoje. Originado no processo gráfico de uma capa de revista, a imagem passa a ocupar o espaço público em pontos de luz, os postes; proponho, no fluxo temporal dessas imagens, uma instalação multimídia na qual as pessoas poderão acionar aleatoriamente uma imagem ou um conjunto de imagens na tela de uma sala escura através do som de um tambor, um "surdão" de escola de samba. O "primitivo" som de um instrumento de percussão tradicional em quase todas as culturas coloca o sujeito interferente em uma situação de possuir uma arma para sua consciência e continuar interferindo e interagindo com as imagens.

O som do "surdão", acionado pelo gesto da batida no tambor e a ação do mouse, coloca o indivíduo no centro do fluxo imagético e de encontro com a própria deterioração da imagem dos dois personagens. No caso não presencial, na interface cibernética, é sugerido ao sujeito interferente que capture uma das imagens em seu computador, interfira como queira, e retorne para uma galeria que será disponibilizada com essas interferências. Poderá também retrabalhar uma imagem já interferida e disponibilizada na galeria, criando uma comunicação similar à conhecida brincadeira do "telefone sem fio".

Ao bater uma só vez no tambor presencialmente, aleatoriamente um sistema randômico trará para a tela uma imagem das 50 imagens escolhidas em sistema n-1, n-2 etc. No caso presencial, as imagens não se repetem até que o sistema complete a rodada das 50 imagens. Ao bater duas vezes no tambor, duas imagens virão à tela de acordo com o tempo e a intensidade entre as batidas, ou seja, uma batida fraca cria um fade mais lento, uma batida forte cria um fade rápido, e o tempo entre as batidas tem a mesma duração do aparecimento das imagens na tela de projeção. O mesmo acontece com três batidas no tambor. O sujeito interferente poderá assim perceber que sua ação é reconhecida pelo sistema, acionando o conjunto de imagens.

No caso virtual, ao clicar no ícone sozinho do pequeno tambor disponibilizado na tela do computador, o sistema randômico também trará uma imagem aleatória para a tela, entretanto uma imagem poderá ser vista várias vezes pois o sistema é randômico puro, ou seja, provavelmente será preciso clicar mais de 50 vezes para ver todas as imagens, pois uma imagem poderá retornar, e com muita rapidez, pois já foi acessada. O mesmo irá acontecer quando o sujeito interferente clicar no tambor com duas baquetas ou no tambor com três baquetas, simulando o gesto presencial. Nesse caso, os pares e os trios virão como uma única imagem sem marcação temporal, mas diferentemente da ação presencial, o sujeito interferente poderá interagir capturando um imagem, transformando-a com os recursos que tenha em seu computador e retornando-as para uma galeria. Tanto no caso presencial quanto no virtual, os pares e os trios foram pré-determinados.

A ação individual valoriza o sujeito interferente colocando-o numa situação de dominação dos personagens e propondo, assim, uma reflexão a partir do ato lúdico interativo; uma busca de compressão através de seu próprio ato interferente no contexto contemporâneo bélico e terrorista personificado nos cartazes deteriorados, uma metáfora aberta para leitura do sujeito interferente.

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