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Itinerário_02 (2016)
Fotografia
Dimensões variáveis

Maria Ilda Trigo[1]

Resumo / Abstract

Ensaio visual composto por seis fotografias, construído a partir da releitura de imagens de meu arquivo de fotos de família. O trabalho baseia-se nas transformações imagéticas possibilitadas pelo trânsito entre o analógico e o digital e tematiza o jogo de olhares, fundamental ao ato fotográfico.

Visual essay composed of six photographs, constructed with images from my family photos archive. The work is based on the transformations made possible by the traffic between analog and digital and it thematizes the looks involved in the photographic act.

 O ensaio fotográfico aqui apresentado faz parte do work in progress Itinerários da paixão, iniciado em 2014, dentro da pesquisa poética que realizo há mais de uma década com o arquivo de fotografias analógicas de minha família.

 O projeto compreende a formação de um corpus de imagens – atualmente com cem fotografias digitais – que será tomado para a construção de diversos “itinerários”.

 Todas as imagens que compõem o projeto correspondem a pequeníssimos detalhes de fotografias coloridas pertencentes a meu arquivo, produzidas nas décadas de 1970 e 1980. As fotos originais foram digitalizadas, exibidas na tela do computador e só então tiveram seus pequenos detalhes (em geral rostos) fotografados com uma câmera reflex digital e uma macro.

 O uso de lente macro para fotografar uma fotografia preexistente é recurso frequente em minha pesquisa, principalmente por dois motivos: primeiro porque, ao permitir a aproximação em relação ao objeto fotografado – no caso, uma foto –, torna acessível a exploração de suas “entranhas”, de seus “segredos” mais íntimos, daquilo que não pode ser observado pelo olhar despido de um dispositivo técnico. Ela cria a sensação de um espaço a ser explorado.

 Em segundo lugar, ela possibilita o contato com a própria materialidade de que é feita a imagem, especialmente aquela que é visualizada na tela do computador, com sua retícula característica.

 O fato de eu ter escolhido fotografar a tela, e não o original em papel, pode ser compreendido como uma alusão à onipresença desse suporte na vida cotidiana. Tendo se tornado a principal mediadora entre nós e as informações a que temos acesso, a materialidade da tela devora, ou pelo menos torna opacas, outras materialidades, como as das fotografias analógicas então digitalizadas.

 Itinerário_02 compõe-se de seis imagens (escolhidas nesse corpus) que têm como característica comum, além do modo como foram geradas, o fato de que nenhum dos fotografados estava olhando para a câmera no momento do clique.

 

[1] Mestranda em Artes Visuais no Instituto de Artes da Unicamp, com a pesquisa Tua pele, tuas palavras: o arquivo de fotografias de família numa visão intermídias. Orientador: Prof. Dr. José Eduardo Ribeiro de Paiva. Linha de pesquisa: Arte e Multimeios.
ildatrigo@hotmail.com