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Estrada, paisagem e capim: fotografias e relatos no Jalapão
Drops e revisitação[1]

Silvia Helena Cardoso

Resumo / Abstract

“Estrada, paisagem e capim: fotografias e relatos no Jalapão. Drops e revisitação” é um artigo síntese do doutorado realizado entre os anos de 2008 e 2011, quando do término e defesa da pesquisa. O trabalho se constituiu por viagens como deslocamento e experiência estética ao Cerrado Jalapoeiro, no interior do estado de Tocantins. A fotografia foi a linguagem visual privilegiada, especificamente a imagem digital, bem como as anotações a partir do método antropológico – observação participante, à luz da etnografia, como expressão e desenvolvimento do percurso poético empreendido.

Nesta pesquisa, Arte e Antropologia estiveram juntas, como um elo complementar no desenvolvimento do trabalho. Diferentes questionamentos surgiram ao longo do fazer artístico: a percepção estética, as histórias narradas, as memórias pessoais e outras sensações descobertas em meio ao Cerrado. Portanto, Arte, Natureza e Cultura tornaram-se pares no processo de registro imagético, enfatizando, assim, o caráter de “work in progress”, a essência de uma pesquisa poética visual.

Road, Landscape and Grass – Photographs and Testimonials in Jalapão – Drops and Revisiting is an article that summarizes the PhD done between 2008 and 2011, year when it was concluded. The research involved traveling to the Cerrado Jalapoeiro, in the country of Tocantins, and aesthetically experiencing it. For this work, the chosen visual language was photograph (more specifically digital images), and it was complemented by notes which were taken according to – and taking ethnography into account – the anthropological method of participant observation as an expression and a way of developing the intended poetry.

Art and Anthropology were connected in the making of this research. Various questions regarding the aesthetics perception, the stories that were told, the personal memories and other sensations experienced when in the Cerrado emerged throughout the artistic process. Having said that, Art, Nature and Culture conjoin in the taking, storing and organizing of images, and this emphasizes the concept of “work in progress”, which is the essence of a poetic – visual research.

Introduzindo

“Fotografias e Relatos no Jalapão” contou com quatro diferentes viagens: a primeira, a Viagem do Encantamento, marca o contato com o cerrado brasileiro no Jalapão, no estado de Tocantins. A viagem proposta na pesquisa foi entendida como um conceito ampliado de deslocamento e experiência estética, portanto como uma real possibilidade de ver, perceber, sentir, pensar e fazer a partir de uma paisagem singular como substância e matéria da poética visual e que despertou uma sensação de profundo encantamento com o lugar; a segunda, a Viagem de Desenvolvimento, foi o descobrimento do espaço para além da paisagem: os moradores da Comunidade da Mumbuca e da cidade Mateiros do Jalapão como protagonistas das suas próprias histórias. A Estrada aparece como uma metáfora entre o conhecido e o desconhecido, entre o que está na consciência e o que está na memória e no campo do esquecimento, como um fio entre universos culturais distintos e também como percurso construído a partir das necessidades e desejos humanos; a terceira, a Viagem do Aprofundamento, foi o reconhecimento das idiossincrasias dos homens a partir da convivência entre as noções de vida e morte: a imensidão e a destruição do cerrado, e, consequentemente, da natureza; e a quarta, a Viagem do Refinamento, foi a lapidação da criação poética, a pontuação de algumas questões visuais suspensas, mas que emergiram para tomar forma e consistência; não só visuais, como também o reconhecimento do eu (autorreferencial) como norte do trabalho processual.

As quatro viagens estruturaram a pesquisa poética – o fazer artístico, propriamente; e indicaram a viagem como uma forma de conhecimento.

Após essas viagens, seguiram-se outras, e vale dizer que continuo fotografando intensamente o Jalapão, a Comunidade da Mumbuca, a cidade de Mateiros do Jalapão, e conhecendo cada vez mais as suas gentes, as suas formas de viver, as estações do ano, as estradas e seus caminhos, o silêncio do cerrado, o vento no platô da Serra do Espírito Santo, outros fervedouros; enfim, sigo experienciando essa parte do Brasil tão bela e genuína.

Seguem os drops, ou melhor, a seleção de dezenove imagens e seus respectivos relatos que constituem neste recorte uma parte do Ensaio Poético Visual construído.

Foto 1
Da Série Estrada (II), dezembro de 2009
TO-255 – A rodovia estadual liga as cidades de Ponte Alta do Tocantins a Mateiros do Jalapão

Dezembro de 2009. Segunda Viagem. Desta vez, fui sozinha. Organizei o percurso a partir de poucas informações: reais e virtuais. Tentei seguir os passos da primeira viagem: aquela do encantamento, que me fez decidir pelo Jalapão, pelo Cerrado. A viagem onde senti a sensação do sublime. Mas o sublime ainda existe? Ou é apenas uma ficção no mundo contemporâneo? Ou um respiro kantiano? Ou uma sensação influenciada pelos pintores românticos?

Desde São Paulo tentei definir o que exatamente necessitava. A ideia da primeira viagem permanecia: o Jalapão como um lugar extremamente distante, inalcançável ao homem comum, ausente de infraestrutura, sem transporte, enfim, sem quase nada. Procurei a agência turística que me levou em julho de 2006. Eles não podiam (ou não quiseram) fornecer uma carona paga para Mateiros do Jalapão, onde sabia da existência de uma pousada, pois a proposta era realizar um trabalho poético/fotográfico com certa essência antropológica na região jalapoeira, desde Ponte Alta até Mateiros e de lá até a Comunidade da Mumbuca. Da agência apenas consegui o contato de um motorista, que, em tese, poderia me levar ao interior do cerrado. […] Partiria logo após o Natal para uma estadia de quase um mês. Assim, confiei plenamente naquele motorista que disse sobre outro que poderia me levar e me trazer de Ponte Alta para Mateiros e de Mateiros para Ponte Alta.

De Palmas para Ponte Alta tudo correu conforme o previsto: pernoitei duas noites no hotel, encontrei o motorista do contato que forneceu o celular da van do Francisco e confirmei a existência da Pousada do Coelho, onde poderia me hospedar antes de chegar a Mateiros.

Um dia antes da viagem a Mateiros, conversei com o motorista, a segunda indicação que finalmente conheci, e tratamos do valor da viagem, das dificuldades do percurso, do tempo aproximado de duração considerando as paradas para as fotografias. Ele deu todas as garantias de que seria uma viagem muito tranquila.

Às sete horas da manhã daquela quinta-feira (30 de dezembro de 2009), o motorista não apareceu, mas mandou outro motorista: “Não pode ir porque precisou viajar para outra cidade”, pediu para avisar.

Diante do novo fato, fiquei sem saber o que fazer. Se não fosse, atrasaria o cronograma do trabalho. E se fosse? O que poderia acontecer? Com muitos pesares e dúvidas, e muita raiva, resolvi ir: não estava a passeio.

Foto 2
Da Série Paisagem (III), dezembro de 2009

Este trabalho poético visual tem uma essência etnográfica, mas não é um trabalho clássico em Antropologia; contudo, o deslocamento – sair de uma cidade cosmopolita e ir para uma comunidade distante – lembra, mesmo que de longe, os naturalistas, os viajantes e os aventureiros dos séculos passados. Apesar dos diferentes objetivos daqueles homens, entrar em contato com uma cultura diferente fazia parte de suas experiências estéticas. O desejo de conhecer o que era desconhecido, nem sempre de forma positiva, desde a vegetação, o território, a fauna, as pessoas (consideradas em um primeiro momento não humanas), revelaria a distância cultural entre uma cultura europeia (branca, cristã e civilizada) e outra sul-americana (índia, ateia e selvagem).

O contato mais estreito entre essas culturas revelou, ao longo dos séculos, outras formas de viver e também de significar o próprio homem, e, especialmente, de organizar o próprio universo cultural. Quando o antropólogo chega a uma comunidade distante tudo está por fazer, pois o interesse em conhecer e interpretar só cabe a ele mesmo. É essencialmente seu interesse e não do outro. O outro tem a sua cultura como ferramenta de movimentação pelo seu próprio universo e está bastante confortável nessa condição. […] Nesse percurso, o estudioso da vida social começa a colecionar informações, a princípio oriundas de entrevistas, conversas informais, documentos antigos, literaturas diversas, mapas, entre outros, e só algum tempo depois passa a organizar e encontrar sentido em tudo o que coletou.

Estrada, paisagem e capim traz um pouco desse ritmo, uma vez que as informações sobre o Jalapão não estão organizadas e acessíveis ao artista/pesquisador; ao contrário, estão dispersas, descentralizadas, não publicadas, ainda se encontram entre as pessoas das comunidades no interior do cerrado. […]

Esse fragmento de capim (capim de varjão, capim alto na vereda) – recorte na paisagem – é um exemplo dos inúmeros “pedacinhos” de informações visuais e/ou verbais que, articuladas, podem revelar um pouco do universo jalapoeiro.

Neste trabalho, o fazer poético se aproxima do método antropológico de pesquisa: Arte e Antropologia se complementam.

Foto 3
Da Série Estrada (V), dezembro de 2009

O Morro do Saca Trapo está no Parque Estadual do Jalapão e pode ser visto de longe, muito longe. Ele desponta ao viajante e anuncia o percurso para o interior do cerrado. Estar próximo do morro é como sentir-se próximo da cidade. De fato, aproximadamente trinta quilômetros o separam de
Mateiros do Jalapão, embora o trecho de barro mais pesado esteja entre a Comunidade do Rio Novo e o Saca Trapo. Próxima do Rio Novo está uma pequena comunidade em um número reduzido de casas ao longo da rodovia, onde há uma escola rural e um bar para a diversão dos homens.

As pessoas contam que o morro ganhou esse nome porque alguns caçadores deixaram uma sacola com roupas velhas perto do lugar. Daí não demorou muito para denominá-lo como Saca Trapo.

A TO-255 está imaginariamente dividida em três trajetos: até a entrada da Cachoeira da Velha (aproximadamente setenta quilômetros desde Ponte Alta); a Comunidade do Rio Novo; e o Saca Trapo. Chegar à bifurcação para a Cachoeira da Velha significa ter vencido a primeira parte da viagem, pois até lá a estrada não é muito ruim […]. Entre o caminho da Velha para o Rio Novo está o percurso mais acidentado e com um banco de areia pesado. Na quarta viagem, uma pedra entrou no disco de freio de uma das rodas e quase causou um dano irreparável no carro. Qualquer quebra em um automóvel no Jalapão significa “chamar um guincho” para tirar o carro do cerrado e levá-lo para Porto Nacional, pois não há peça de reposição e muito menos mão de obra para o serviço. Por isso chegar ao Saca Trapo representa sucesso na viagem. Do Morro pra frente, além da Sede do Parque Estadual do Jalapão/PEJ, existem algumas propriedades, o que significa não estar sozinho.

A TO-255 é uma quase “entidade”, como enfatizou Cassiana Solange Moreira, bióloga do PEJ. Enquanto entidade, parece ter vida própria e acaba por demandar o que quer e com quem quer. Existe aqui um “gosto de provação”, aquela sensação de dever e passar por algo marcante em um lugar e na vida.

Foto 4
Pedaço do Universo, julho de 2006

“As Dunas são bonitas
Nelas podemos rolar
Sou pequenina
Lá sinto vontade de voar”

Por Patrícia Vieira da Conceição, aluna da Escola Pública Estadual da Cidade de Mateiros do Jalapão e de Poesia de Delmar Camilo Soares.

Foto 5
Imensidão, julho de 2006

Julho de 2006. A primeira viagem. A viagem do encantamento. A partir do mirante da Serra do Espírito Santo podemos visualizar um imenso jardim natural. Não sabemos exatamente quantas vezes essa paisagem sofreu com a ação do homem. Provavelmente muitas, mas não o suficiente para devastá-la. Afinal, o Jalapão é muito grande, conta com uma área de 34 mil km2, maior que o estado de Alagoas. Essas terras são visitadas desde o século XIX. Viajantes, botânicos, historiadores, engenheiros de telégrafos, médicos sanitaristas e expedicionários passaram pelo Jalapão. Data de 1846 a passagem do primeiro viajante inglês – George Gardner. Quarenta anos depois (1886), mais um viajante inglês – James W. Wells – conheceu o cerrado jalapoeiro e escreveu:

É de fato uma bela região, e se não fosse tão distante do mundo lá fora, seria um lugar magnífico para criação de gado e a imigração; assim como é, permanecerá provavelmente intocada por muitas gerações, até que os Estados Unidos estejam superpovoados, e talvez o interior da África já todo colonizado, e até que uma ferrovia alcance esta terra linda e promissora (von BEHR, 2004, p. 44).

Até mesmo a tropa comunista de Luís Carlos Prestes (1898/1990) adentrou ao Jalapão por volta de 1926.

E a Serra do Espírito Santo continua ali (o Morro da Bigorna à esquerda e o Morro do Fumo à direita), com as constantes erosões, observando a passagem dos homens.

Ao subir a Serra do Espírito Santo, fui tomada por uma sensação de profundo encantamento.

Foto 6
Da Série Estrada (VI), janeiro de 2010

Caminho, quebrada, picada e percurso são outros nomes para uma estrada. A estrada, de fato, é um caminho já consagrado, isto é, uma direção que se tornou pública, deixou de ser privada para institucionalizar-se. Toda grande estrada já foi um dia um caminho estreito, mas quando passa a ser referência de percurso, quando é um deslocamento de um lugar para outro, como um elo entre uma cidade e outra, torna-se uma estrada. Portanto, é uma construção humana e cultural, além de ser o produto da intervenção do homem em um espaço natural.

“Triero” é a palavra usada no Jalapão para caminho local, como, por exemplo, uma picada aberta que leva para a casa de alguém, para uma queda d’água, um lago etc. O verbo é o “triar”, que nasceu de trilha, isto é, caminhar pelo triero.

No Jalapão só é possível triar pelos trieros. A estrada é para o carro. O calor e o sol forte impedem o viajante e o homem local de caminhar por longos percursos.

Foto 7
Da Série Água (I), janeiro de 2010

Na segunda viagem (dezembro de 2009 e janeiro de 2010), conheci Ana Cláudia Matos da Silva, moradora da Comunidade da Mumbuca e também de Mateiros do Jalapão, que demonstrou conhecer muito a região, não só as pessoas, mas também as espécies vegetais do cerrado. Assim, Ana Cláudia logo se tornou uma referência – uma informante, como os antropólogos escrevem – para o trabalho. Através dela, passei a conhecer alguns trechos e percursos, aonde sozinha jamais chegaria. Dentre esses caminhos, fomos até o Rio Soninho. Caminhamos por volta de uns quatro quilômetros, entre picadas, estradinhas, casas, pastos e campos úmidos para conseguir chegar. Avistamos uma casinha e seguimos naquela direção. Atrás dessa casa, estava: o rio Soninho com sua água escura, mas que, ao deixar a luz do sol penetrar, torna-se transparente e límpida, e a cor ocre se sobrepõe. Água gelada e pesada. A correnteza é forte e rápida, o que impede o cruzamento do rio.

Foto 8
Da Série Água (II), outubro de 2010

Na terceira viagem (outubro de 2010), pude explorar calmamente o Fervedouro e seu entorno. O Fervedouro é um poço de águas ressurgentes, largo e profundo, que se misturam à areia, onde o homem não afunda. A maioria das pessoas quer conhecê-lo exatamente porque nesse poço a água não representa perigo. Contudo, o que está no seu entorno é totalmente esquecido. As bananeiras que o circundam aparentemente só servem para fazer sombra. Mas eliminam folhas que se juntam a outras plantas e acabam por formar uma vegetação muito própria no curso de escoamento da água.

Detive-me por algum tempo observando e fotografando essas vegetações que parecem decorar a passagem da água. Formam um desenho singular produzido pelo movimento dela.

Foto 9
Da Série Frescor (I), outubro de 2010

Aquele dia foi bastante tranquilo. Depois de fotografar vários pontos de queimadas, finalmente pude sentir o frescor de uma das nascentes de água do Jalapão. Ir até o Fervedouro naquela manhã e encontrá-lo vazio significou entrar em contato com seu estado original. A autenticidade reside na própria solidão do lugar. Como um oásis perdido no meio do deserto. Só assim, nesse estado, pude de fato senti-lo e explorá-lo fotograficamente. Assim nasceu a Série Frescor. Por que frescor? A sensação é de exuberância e vida. Naquele pedaço de floresta, reside muita vida.

Foto 10
O Vestido Branco, janeiro de 2011

Bebe, Joviniana Soares da Cunha, 63 anos, costurou seu vestido branco à mão, apenas com linha e agulha. Ela foi buscar buritirana na casa da irmã, lá no Galhão, comunidade vizinha a Mateiros onde vive.

O leite da buritirana, fruto pequeno e parente do buriti, é extraído para comer com farinha. É uma comida típica do Jalapão.

Foto 11
Mulher e Homem, janeiro de 2010

“O Buriti cai dentro da lama
O que acontece?
Ele amolece!”

Por Adão Batista Ribeiro, aluno de escola pública e de poesia de Delmar Camilo Soares.

Foto 12
Paisagem da Solidão, janeiro de 2010

O que leva o homem a se fixar num lugar tão distante? Sem a infraestrutura desenvolvida pelas sociedades nos últimos séculos? A escolher um lugar solitário? A desejar estar só?

Edilson Alves, 44 anos, conhecido por Cocha, saiu do Maranhão e comprou uma casinha e noventa hectares de terras próximas ao rio Soninho e disse: “Vim cumprir sorte. Lá está distante de tudo. Vive sem luz elétrica, não tem vizinhos, não assiste à televisão e só encontra alguém quando quer. Quando sente vontade de falar, pega sua moto e vai até Mumbuca (três quilômetros) ou Mateiros (quarenta quilômetros). Conversa quanto quer e volta para sua vida solitária.

Será a solidão uma sensação vazia? Será a solidão apenas uma circunstância? O Cerrado é uma paisagem de solidão? O Cerrado impõe tal sensação às pessoas?

Foto 13
Jardim Natural, julho de 2006

A Flor-do-Rei (Paepalanthus sp, nome científico) é conhecida em outras regiões do Cerrado como sempre-viva e/ou chuveirinho, e é parente do capim dourado.

Esse jardim natural é encontrado no caminho para a Cachoeira da Velha, no interior do Jalapão. Longe do que escreveu Anne Cauquelin sobre Lucrécio, esse lugar não é nem selvagem, nem perverso e muito menos pobre (2007, p. 132). O desenho indica ocupação organizada das espécies naturais. Apesar de natural, lembra um campo domesticado.

Foto 14
Campo de Syngonanthus nitens, outubro de 2010

Outubro de 2010. Terceira Viagem. A viagem do aprofundamento. A coleta do capim dourado acontece entre os meses de setembro e outubro de cada ano. Esta é a data oficial para a extração da haste, a principal matéria-prima para a confecção do artesanato. Ao pegar a haste, os coletores – mulheres, homens e jovens – devem retirar a flor e espalhar as sementes secas que medem apenas um milímetro pelos campos úmidos e veredas. Essa ação garantirá um campo farto de capim dourado no ano seguinte.

Nessa viagem, cheguei ao Jalapão entre a segunda e a terceira chuva, o que significou não encontrar muitos campos para fotografar. Desconhecia a informação de que a chuva contribui com o escurecimento do capim e também de que a principal coleta deve acontecer antes da primeira chuva. Estava certa de que se estivesse lá entre os meses indicados poderia encontrar ainda muitos campos não explorados.

Essa não foi uma viagem tranquila; aliás, qual é? Aquele verão jalapoeiro (abril a setembro) foi marcado por forte seca e a estrada para Mateiros estava quase intransitável. A cidade ficou incomunicável por muitos dias, os inúmeros buracos e fendas no solo esturricado impediam o trânsito dos automóveis grandes e pequenos.

Antes de sair de São Paulo fiz todos os contatos possíveis, especialmente com o Parque Estadual do Jalapão/PEJ. Receava não conseguir chegar. Fiquei por quatro dias e meio em Ponte Alta do Tocantins esperando algum carro para ir a Mateiros. Nesses dias procurei fotografar os campos úmidos e as queimadas próximas de Ponte Alta, uma vez que essa cidade se encontra na periferia do Jalapão. Apenas na tarde do quinto dia, consegui ir a Mateiros. Adentrar o Cerrado nessas condições foi uma experiência verdadeiramente apreensiva. Chegar a Mateiros foi pra mim uma verdadeira vitória. Mas, e sair de lá? Como fazer? Conseguiria outro carro 4 x 4?

Chegar e sair, ir e voltar estão intrinsecamente associados, fazem parte da mesma viagem, pelo menos ao viajante.

Foto 15
Conversas femininas, janeiro de 2010

As artesãs sentam perto de outras mulheres e todas tecem, e conversam. Nessas produções coletivas acabam por trocar informações. São rodas de conversas onde cada uma expõe sua vida mais íntima. À medida que o tempo passa, o artesanato se estrutura e as mulheres participam da vida da comunidade. De longe, é possível ouvir as risadas e as vozes femininas. Os homens também gostam de participar dessas conversas, mas ali sabem que têm pouco ou nenhum espaço, pois o assunto é feminino e um dos temas é o próprio homem. As conversas têm uma função social e psíquica interessante: é através desses diálogos e monólogos que as mulheres colocam suas reflexões e suas soluções sobre os mais variados assuntos. Algumas ocupam o papel de ouvinte enquanto outras de oradora, mas todas compartilham os seus desejos mais secretos.

O cansaço físico sentido pela postura corporal exigida em confeccionar o objeto de capim dourado é diluído com o tempo. A conversa funciona como remédio para a mente e o corpo.

Foto 16
Círculo de Fogo, janeiro de 2010

Quanto tempo leva para confeccionar esta mandala?
Quanto tempo leva para o fogo destruir um campo de capim dourado?

O fogo é usado em diferentes manejos, ou seja, preparos do solo: desde a roça até a colheita do capim. Segundo a cultura local, o fogo estimula a floração do capim dourado, contudo se chegar às veredas pode provocar graves incêndios.

É nesse hiato entre a coleta e o espargir das sementes que o fogo é lançado sobre o campo de capim dourado. Se, por um lado, o capim dourado é beneficiado, por outro, diferentes espécies da flora são queimadas, e praticamente destruídas.

O que fazer então?

Foto 17
Da Série Seca (I), outubro de 2010

Nos anos anteriores, o Cerrado não passou por um incêndio tão devastador quanto este do último período de seca. Os funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio trabalharam sem parar para barrar os inúmeros focos de fogo que proliferaram pelos campos do Jalapão. A estiagem foi marcante entre os meses de maio e setembro de 2010. Contudo, mais de noventa por cento da queimada produzida foi de responsabilidade humana. O homem jalapoeiro continua fazendo o manejo das áreas para a agricultura e para o gado ateando fogo no Cerrado.

Foto 18
Da Série Resistência (I), outubro de 2010

A forma permanece quase intacta. Alguns lados retorcidos. A cor mudou. De verde originalmente para dourada, como duas etapas diferentes do seu ciclo, que fora alterado pela ação nefasta do incêndio. Apesar da resistência caiu no chão, o solo quente continuará forçando alguma mudança em sua constituição. A folha se decomporá e alimentará a própria terra, que levará mais tempo até atingir o seu estado inicial, se conseguir.

Foto 19
Extinção, janeiro de 2010

Da primeira à quarta viagem – do encantamento, do descobrimento, do aprofundamento, do refinamento –, minha percepção sobre o Jalapão mudou. É impressionante verificar que a superfície é sempre um estado de aparência e o mergulho um processo de conhecimento dos diferentes níveis, das diversas camadas, que compõem o objeto de pesquisa, por exemplo.

Passei da sensação que identifiquei como sublime, porque acredito que é possível senti-lo ainda hoje no mundo contemporâneo, do estado de contemplação da paisagem, do reconhecimento da beleza que marca o Cerrado, da viagem exterior, para uma viagem interior, de resgate das minhas influências (o mapa para Deleuze, 2005, que compõe a infância e a adolescência), para certo aprofundamento com o universo da Arte e essência etnográfica, sem perder o norte do fazer poético que passa pela intuição, percepção, sentimento, pesquisa, razão, enfim, um trabalho em processo.

Neste percurso, o primeiro corte e costura fotográfica, toquei em outra área, especificamente, as Ciências Naturais. Longe de querer assumir qualquer postura científica, reconheço que a Biologia, a Botânica, a Geografia e a Geologia são lugares essenciais para o estudo do Cerrado. Vale reconhecer que o universo da arte não é exclusivista, a cada projeto nos deparamos com conhecimentos de outras áreas, com outros saberes. Como viajante me comportei, ouvi, refleti e assimilei o que fez sentido para o fazer poético.

Joseph Beuys identificou a floresta como uma estrutura social e, em particular, a maior delas: a Floresta Amazônica (BEUYS, 2010/2011, p. 36). Nas últimas décadas, a Amazônia Brasileira foi e é lembrada como o pulmão verde do mundo e nesse caso sua preservação é urgente. Mas, e o Cerrado? Qual é a sua importância para o homem e o mundo contemporâneo? Foi transformado de fato numa área de reserva para a exploração legal? O que fazer?

Considerações finais

A fotografia de Robert Frank (1924)[2] acompanhou imaginariamente parte das viagens realizadas ao Jalapão, especialmente quando a estrada se definiu como direção para os vários pensamentos e dúvidas que foram levantados ao longo do processo da pesquisa poética. A estrada como metáfora da passagem entre o que é e o que não é conhecido. Neste percurso, o encantamento se revelou como uma sensação entusiasmada pela paisagem e o Cerrado, especificamente. O reconhecimento da contemplação, a partir da quietude e do silêncio, surgiu como uma necessidade de aprofundamento, não só no espaço externo como também internamente, como uma viagem de descobertas e redescobertas da memória e do esquecimento.

A fotografia, a imagem digital pontualmente, enquanto linguagem e expressão poética construiu uma narrativa a partir das diferentes etapas de desenvolvimento do processo que se desenhou ao longo das quatro viagens. De forma não linear, os relatos que acompanham as fotografias trazem as imagens que revelam o deslocamento a partir de uma percepção em grande angular para um recorte fragmentado, um pequeno detalhe da natureza viva e existente no Cerrado. As fotografias ao lado destes textos/relatos também revelam a aproximação da artista/pesquisadora não só com a geografia do lugar pesquisado, mas com o universo humano presente no Jalapão. As pessoas, em certa medida, são coautoras do trabalho, uma vez que suas histórias e experiências foram relatadas e acabaram por direcionar a vivência no lugar.

As fotografias exibem uma estética documental – o registro do real, daquilo que está lá e aparece de forma íntegra – onde o índice se faz presente (ROUILLÉ, 2009), mas também mostra um conjunto de imagens que privilegia a não figuração, certa abstração a partir de um objeto real. Essas fotografias menos figurativas tocam no processo de construção poética em que a intuição, o instante e a percepção são elementos essenciais da visualidade e, portanto, do conhecimento sensível. Também marcam um deslocamento, certa fuga, da realidade que se impõe com muita força no Jalapão. Essa dinâmica caracteriza o movimento da própria história da fotografia ao longo do último século: um vai e vem entre o registro documental e a fotografia-expressão.

Durante o desenvolvimento da pesquisa, alguns momentos se revelaram essenciais no processo de descobrimento e da construção poética: primeiro, a subida à Serra do Espírito Santo, onde a exuberância do Cerrado e a dimensão do horizonte são marcas do encantamento, da beleza e da possibilidade de uma experiência estética no Jalapão;[3] segundo, a caminhada na TO-255 – um trecho de dez quilômetros – da cidade de Mateiros em direção às Dunas, onde o corpo físico sentiu e sofreu a temperatura do Cerrado; terceiro, a experiência em pisar em um solo queimado e sentir o calor do interior da terra, bem como observar a morte das diferentes espécies da flora; e quarto, o silêncio e o frescor do Fervedouro, quase uma compensação à angústia anterior, o contato com uma nascente de água, metaforicamente um oásis, presente na imensidão do Jalapão. Foram momentos de contato com a essência poética. O trabalho ganhou fôlego, e a fruição artística aconteceu naturalmente.

A princípio, o capim dourado foi o elemento norteador do projeto de pesquisa; contudo, a partir da segunda viagem, a estrada tornou-se o elemento-chave tanto na condução do trabalho quanto na imersão nas camadas internas que estruturam a subjetividade e remontam à memória da infância. A intenção não foi realizar um trabalho biográfico, porque existe uma pesquisa qualitativa com essência antropológica, especificamente etnográfica – o encontro com as pessoas e o Jalapão como lugar de trabalho; mas, ao longo do processo, a expectativa inicial foi frustrada, e, assim, a estrada e a paisagem tornaram-se as protagonistas. Mesmo porque o encantamento foi detonado através do contato com o lugar, portanto estrada e paisagem foram reconhecidas como matérias substanciais para o trabalho poético. O capim é um objeto de pesquisa importante, mas é uma parte da paisagem, constitui-se como uma informação da própria paisagem.

Os deslocamentos possibilitaram as experiências estéticas que foram pontuadas por conhecimentos objetivos do Jalapão e subjetivos a partir do contato com aquele universo e da forma com que repercutiram internamente. Os objetivos trazem um conjunto de informações que permitem conhecer o lugar e as pessoas; e os subjetivos dizem sobre os sentimentos e as sensações possíveis através da permanência e contato com o espaço. Nesse percurso houve um encantamento e uma sensação de prazer ao observar a paisagem, bem como o reconhecimento da importância do ato contemplativo, o instante que solicita uma pausa no tempo, certa suspensão diante da linha do horizonte, da textura da vegetação e das cores do Cerrado. Portanto, a percepção visual e a suspensão parecem fazer parte de um êxtase estético, isto é, a beleza encanta, enquanto a suspensão comove. Logo, o encantamento está para a superfície, a aparência, a forma, o momentâneo; e a suspensão, enquanto comoção, para a profundidade.

A Viagem do Encantamento marcou a presença da visualidade e a necessidade da contemplação diante da paisagem do Jalapão. Esse entusiasmo está para a ordem da superfície e da forma, para o primeiro plano, contudo é necessário, uma vez que pode detonar um interesse transformador. As outras viagens delimitaram o desenvolvimento do fazer poético, do contato com o universo físico e humano do lugar, proporcionando, assim, certo aprofundamento em questões naturais e sociais específicas ao Cerrado. Portanto, o Jalapão foi se revelando simultaneamente ao processo poético.

Tanto a ordem da objetividade tão desejada pelas Ciências Naturais, quanto a ordem da subjetividade presente nas Artes são necessárias ao trabalho poético. É no fazer que a pesquisa artística se desenha e conta com certo caráter racional e, especialmente, com o impulso intuitivo criador. Razão e emoção são duas faces de um fazer, a princípio opostas, mas complementares no processo de um trabalho em poética visual.

Referências Bibliográficas

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MERLEAU-PONTY, Maurice. A dúvida de Cézanne. In: ________. O olho e o espírito. Tradução de Paulo Neves e Maria Ermantina Galvão Gomes Pereira. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

OSTROWER, Fayga. A construção do olhar. In: NOVAES, Adauto et al. O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. Tradução de Constancia Egrejas. São Paulo: Senac SP, 2009.

ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982.

SCHMIDT, Isabel Belloni. Etnobotânica e ecologia populacional de Syngonanthus nitens: sempre viva utilizada para artesanato no Jalapão, Tocantins. Dissertação (mestrado) – Universidade de Brasília/UnB, Brasília/DF, 2005.

SUBIRATS, Eduardo. Paisagens da solidão. In: ________. Paisagens da solidão: ensaios sobre filosofia e cultura. Tradução de Denise Guimarães Bottmann. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1986.

Von BEHR, Miguel. Jalapão: Sertão das Águas. São José dos Campos/SP: Somos Editora, 2004.

Referencial visual

ABRAMOVIC, Marina. Back to simplicity. São Paulo: Luciana Brito Galeria, 2010/2011 (Catálogo de Exposição).

CLEARWATER, Bonnie. The rothko book. London: Tate Publishing, 2008. (Catálogo de Exposição).

DIAS, Geraldo Souza. Mira Schendel: do espiritual à corporeidade. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

FRANK, Robert. The Americans. New York: Scalo Publishers, 1994.

FUCHS, Bernhard. Strassen und Wege : Fotografien. London: Koenig Books, 2009.

GOLDSWORTHY, Andy. Time. London: Thames & Hudson, 2000.

JOSEPH BEUYS: a revolução somos nós: 2010-2011. Direção e curadoria geral de Solange Oliveira Farkas; curador convidado: Antonio d’Avossa; realização do Serviço Social do Comércio. Administração Regional no Estado de São Paulo e Associação Cultural Videobrasil. São Paulo: Edições Sesc SP, 2010.

MATUCK, Rubens. Cadernos de viagem. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2003.

REISEWITZ, Caio. Parece verdade. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

TWOMBLY, Cy. Photographs 1951-2007. Munich :  Shirmer/Mosel, 2008.

Referencial fílmico

O CÉU que nos protege. Direção: Bernardo Bertolucci. Produção: Jeremy Thomas. Roteiro: Bernardo Bertolucci e Mark Peploe. Intérpretes: Debra Winger, John Malkovich, Campbell Scott e outros. Música: Ryuichi Sakamoto e Richard Horowitz. Itália/Inglaterra, 1990. 1 filme (138 min), son., color, 35 mm.

DIÁRIOS de Motocicleta. Direção: Walter Salles. Roteiro: José Rivera. Intérpretes: Gael Garcia Bernal, Rodrigo de la Serna, Mia Maestro e outros. Música: Jorge Drexler. Argentina/Brasil/Chile e outros, 2004. 1 filme (126 min), son., color, 35 mm.

NA NATUREZA Selvagem. Direção e roteiro: Sean Penn. Intérpretes: Emile Hirsch, Márcia Gay Harden, William Hurt, e outros. Música: Michael Brook, Kaki King, Eddie Vedder. Square One C.I. H./Linson Film, EUA, 2007. 1 filme (148 min), son., color, 35 mm.

SÓ DEZ por cento é mentira. Direção e Roteiro: Pedro Cezar. Produção: Artezanato Eletrônico. Intérpretes: Manoel de Barros, Bianca Ramoneda, Joel Pizzini, e outros. Música: Marcos Kuzka. Brasil: Downtown Filmes, 2009. 1 filme (76 min). son., color, 35 mm.

RIVERS and Tides : Working with Time. Direção e Roteiro: Thomas Riedlsheimer. Produção: Annedone Von Donop. Intérprete: Andy Goldsworthy. Música: Fred Frith. Canadá, 2001. 1 DVD (90 min), widescreen, color.

VIAJO porque preciso, volto porque te amo. Direção de Marcelo Gomes e Karim Ainouz. Intérpretes: Irandhir Santos. Roteiro: Marcelo Gomes, Karim Ainouz e Eduardo Bernardes. Brasil: 2009. 1 filme (75 min), son., color.

[1] CARDOSO, Silvia Helena dos Santos. Estrada, paisagem e capim: fotografias e relatos no Jalapão. Tese (doutorado) – Unicamp/Instituto de Artes, Campinas/SP, 2011.
Orientação de Profª Dra Luise Weiss, defesa em 7 de julho de 2011, Programa de Pós-Graduação em Artes, Área de Concentração em Artes Visuais/Poética Visual.
silvia2001@uol.com.br

[2] U.S. 285, New Mexico, anos 50. FRANK, Robert, 1994. The Americans, ensaio fotográfico realizado por Robert Frank pelo interior dos Estados Unidos na década de 50, traz a fotografia em que a câmera foi colocada no nível da estrada como forma de ressaltar a linha vertical que aponta para o infinito. Essa imagem abre o capítulo “Considerações finais” da tese de doutoramento (2011, p. 179).

[3] “Imensidão”, julho de 2006, é uma fotografia realizada na Serra do Espírito Santo onde podemos avistar o Cerrado Jalapoeiro.