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A estética da violência na fotografia do Notícias Populares II / II Fabiano Silvestre |
I | II | referências bibliográficas
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A estética e a ética na fotografia
A violência existe em todas as partes e em todos os cantos do mundo. O problema é a banalização dessa violência. A estética fotográfica e seu uso bem dosado têm cunho informativo e ético, porém à medida que ela é usada sem critério, sem análise e apenas enfatizando fins comerciais se torna um problema, pois a repetição cotidiana dessa violência no receptor faz com que este entenda a violência como algo normal. Vivemos em uma sociedade cada vez mais mediatizada. Muito embora no mundo moderno a noção de corpo se construa através de referentes relativos ao corpo como átomo, divisa, fronteira, clausura do sujeito, ou seja, um corpo definido como unidade (Le Breton, 1990), quando se trata das práticas de violência, observamos que essa noção de corpo assume outros significados. Os signos indiciais do corpo extrapolam o próprio corpo produzindo, fazendo circular referentes simbólicos da rua, do bairro, da cidade.[6] Espreme que sai sangue É importante entender o NP como um veículo com uma comunicação visual muito particular e intensa. Apesar disso, os editores de imagem não usavam fotos sangrentas em cores. As fotos mais violentas eram usadas em tamanho menor que as menos violentas e normalmente colocadas nas páginas internas. As fotos coloridas eram usadas para mostrar "A gata do mês". Diversas atrizes famosas que atuam em novelas da atualidade posaram nuas em fotos do Notícias Populares. Quando Barthes (1984: 15) afirma que "a fotografia traz sempre consigo seu referente, ambos atingidos pela imobilidade amorosa ou fúnebre, no âmago do mundo em movimento: estão colados um ao outro, membro por membro..." [7], demonstra claramente a razão desse ambiente de imagem, sempre conflituoso, ora ressaltando a podridão social e a convalescença humana, ora expondo o olhar irrequieto do fotógrafo. Grande parte das vezes o olhar do fotógrafo é completamente diferente do ímpeto do receptor; este vaga pela imagem, interage, possui tempo para degustar essa visão, tem tempo para reflexão. O fotógrafo tem a fração de segundo que corresponde ao clique. Esse "namoro visual" dura muitas vezes centésimos de segundo. O instinto do fotógrafo realiza a fotografia e o sabor finalizado desse trabalho fica para o interpretante avaliar. O fotógrafo é um artista da imagem, rico em sensações, nobre em suas percepções. Sua arte é valorizada no mundo inteiro. Esse trabalho documenta a sociedade em que vivemos, atribui valores ao ser humano que nem mesmo ele sabe. A estética da imagem faz com que o homem contemporâneo se conheça melhor, tenha uma visão de si e do mundo que habita e isso é primordial. Mesmo através de fotos sensacionalistas, violentas o fotógrafo cumpre o seu dever denunciativo, e essa documentação passa a ter uma dimensão muito mais construtiva quando imaginamos um mundo diferente do que aconteceu no passado. Através da humanidade documentada pelas lentes fotográficas, podemos reconhecer nossos erros e estabelecer um destino mais justo, equilibrado e humano. |
I | II | referências bibliográficas
[5] Sanches Vasquez, Adolfo, Ética, Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1998